Diferenças entre ações concêntricas e ações excêntricas

Por Bruno Medeiros

As ações musculares, concêntrica, excêntrica e isométricas se diferenciam entre si em adaptações morfológicas e neurais. Vamos entender como isso ocorre.

Quando o objetivo do treinamento é o aumento de força, as adaptações neurais são as principais para que isso aconteça. Após um determinado período, as adaptações morfológicas (estruturais) são maximizadas, e as neurais, tendem a diminuir.

Já é bem comprovado e aceito por pesquisadores e preparadores físicos, que as ações excêntricas geram maiores ganhos de força e hipertrofia quando comparado com as outras ações musculares.Mas afinal, como isso ocorre?

A ação excêntrica ocorre sempre quando o músculo é alongado, realizando uma frenagem de um determinado movimento. Esse ação também pode ser chamada de negativa. Já na ação excêntrica, os músculos se encurtam. Nesse tipo de contração muscular, há uma sobreposições das proteínas contráteis, actina e miosina, diminuindo o tamanho dos sarcômeros. Quanto mais encurtado o músculo, maior sua capacidade de geração de força, devido a grande quantidade de actina e miosina interligadas. No aparelho Leg Press, isso pode ser bem observado. Na posição inicial desse exercício, há um alongamento do quadríceps, diminuindo a área de sobreposição das proteínas contráteis, diminuindo muito a capacidade desse grupamento muscular de gerar força para vencer a resistência.. É por isso que sempre há alguém solicitando uma ajudinha pra “sair” da posição inicial e começar o exercício.

Além das proteínas contráteis, há também as proteínas elásticas, entre elas estão a titina e a desmina. Essas proteínas tem como principal função, organizar as estruturas que compõe o músculo. A actina e miosina e os sarcômeros, só são organizadinhos como visto nas imagens dos livros de fisiologia, porque a titina realiza essa organização, evitando que esses componentes musculares não fiquem desarranjados dentro da fibra muscular. Outra função dessas proteínas é oferecer uma resistência passiva, ou seja, essas substâncias atuam como um elástico, que ao ser puxado, gera uma tensão contrária. Conclui-se então que, somando essa tensão passiva, das proteínas elásticas com a tensão ativa, das proteínas contráteis, o músculo consegue produzir maior força na fase excêntrica.  Na ação concêntrica, só a produção de força das proteínas contráteis.

Outra diferença importante dessas duas ações musculares é quanto a fisiologia neuromuscular. Os orgãos tendinosos de golgi (OTGs) e os fusos musculares, proprioceptores responsáveis em fornecer informações sobre a tensão e o estiramento muscular, participam diretamente na capacidade de produção de força exercida pelo músculo. os OTGs enviam informação até a medula e ao cortex motor para que essa tensão seja percebida. Quando a tensão submetida ao músculo é muito alta, além da capacidade desse tecido suportar tal resistência, esse proprioceptor aumenta sua atividade elétrica, tendo como resposta a diminuição de estímulos neurais para fibra muscular, inibindo o envio de sinais elétricos dos motoneurônios responsáveis pela contração . Esse mecanismo de defesa dos OTGs é mais sensível em sedentários, onde qualquer sobrecarga maior do que o músculo está acostumado, há um relaxamento muscular momentâneo, justamente para proteger essa tecido de possíveis danos. Por outro lado, indivíduos treinados conseguem produzir mais força durante essa ação muscular, pois os proprioceptores não são tão sensíveis a resistência. Desse modo, é mais fácil um atleta se machucar levantando um excesso de peso do que um indivíduo sem experiência no treinamento de força.

As adaptações morfológicas também se diferenciam entre as ações musculares. As ações encêntricas geram maior dano muscular porque, ao longo das contrações realizadas, o ATP vai sendo gasto e, sem ATP para soltar o braço da miosina da cabeça da actina, há um rompimento das miofibrilas devido ao fato que a resistência se encontra maior do que ao força de interação dessas estruturas proteícas. Para melhor entendimento, analise a  analogia descrita a seguir. Pense num carro descendo uma ladeira muito forte, só que com os freios acionados e a roda parada, e não há “ATP” para soltar os freios. O que acontece? O carro desce porque a força da gravidade é maior do que a força imposta pelos freios. Marcas de pneus na rua irão aparecer. É o que acontece com os músculos, danos as miofibrilas vão ocorrer porque não ATP suficiente para liberar a miosina da actina. Sabendo então que as microlesões são os principais estímulos para gerar uma resposta hipertrófica, e que esses danos ocorrem nas ações excentricas, fica claro que essa ação muscular é a principal responsável, de certa forma, ao aumento do volume muscular.

Afinal, se compararmos as duas ações, a mecânica, as adaptações morfológica e neural, a ação excêntrica é mais positiva em termo de resultados do que as outras duas. No entanto, cuidado ao realizar esse tipo de trabalho, pois há grande desgaste e sobrecarga imposta ao músculo. Outro fator negativo é a impossibilidade de reproduzir o gesto motor de algum  determinado esporte através desse tipo de treinamento. Sempre lembre-se que tudo tem seu lugar no planejamento e é essa competência que gera treinos eficientes e a conquista de resultados esperados.

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